Sábado, 28 de Julho de 2007

D. Francisco de Mata Mourisca

Jornal de Angola

Política de um Bispo?


Muanamosi Matumona

D. Francisco de Mata Mourisca, Digníssimo Bispo do Uíje, celebrou, recentemente, os seus 40 anos de episcopado e, ao mesmo tempo, da igreja local que dirige com um notável dinamismo e um zelo incontestável, estruturando uma pastoral forte em todas as dimensões que, logicamente, acompanhou sempre as vicissitudes que o país em geral, e a província do Uíje em particular, registou em cada etapa da história.
Por isso, é muito normal considerar a pastoral de D. Francisco como uma filosofia prática bem encarnada, bem localizada no espaço e no tempo. Aliás, o Bispo do Uíje tem muitas razões para assinalar esta façanha com pompa e circunstância. E o povo do Uíje (não só…), que participou efusivamente no evento, homenageando o seu pastor, também tem muitos argumentos para justificar o tempo e as energias que gastou para dar um colorido próprio aos festejos que mexeram com a cidade e com o país inteiro.
Certamente, Portugal também terá vibrado a favor do seu filho, que também encarnou os valores do povo uijense, tornando-se, no corpo e no espírito, um angolano que, ao longo dos 40 anos que está à frente da Diocese do Uíje, se preocupou sempre em defender e promover os valores do seu rebanho, abordados em várias vertentes: tradição, religião, família, cultura, política, etc.
Nesta linha, trabalhou, incansavelmente, para a verdade, justiça e paz, não olhando para a raça, cor, língua, credo político, confissão religiosa, cultivando, assim, uma visão equilibrada e real sobre a situação do país e de todo o povo angolano.
Inicialmente, quando entrou solenemente em Carmona (hoje Uíje), em 1967, D. Francisco assumiu um desafio bem definido, sensível e, ao mesmo tempo, "ingrato": enfrentar o poder colonial para que este pudesse reconhecer e promover a dignidade do nativo. Esta aposta fez dele um cidadão "antipático" perante os seus conterrâneos (portugueses). Mas permaneceu forte e valente para superar as dificuldades.
Depois, foi a vez de enfrentar os políticos angolanos, numa perspectiva de diálogo imparcial, convidando-os a pensar no seu povo, trabalhando para que este mesmo povo pudesse viver na justiça e na paz. A guerra que, infelizmente, devastou o país foi uma grande interpelação ao digníssimo Bispo do Uíje. Perante o quadro desastroso provocado pela situação ingrata e perigosíssima que o país conheceu, D. Francisco deu sempre o apoio necessário ao povo, no contexto de uma pastoral sócio-caritativa.
Neste horizonte, é justo assinalar, apenas, algumas proezas protagonizadas por este nome de referência: a criação da escola de formação de professores (mais tarde Instituto Médio Normal de Educação Cor Mariae) e de outros estabelecimentos de ensino quase em todas as missões da sua diocese. Destas escolas saíram muitos quadros nativos, que exercem, hoje, cargos de grande responsabilidade no país e no exterior.
Este foi sempre o ideal do fundador das escolas em questão: educar o homem para que tenha uma formação integral, ganhando maturidade e aptidões para servir a nação angolana, dando o seu contributo para o desenvolvimento do país. Para além das escolas, abriu também o Seminário Maior de Filosofia, também na cidade do Uíje, que até agora continua a formar os futuros sacerdotes diocesanos, cuja missão é assegurar a evangelização na igreja local, uma prática que visa também a formação e a promoção integral do homem.
O combate à doença de sono foi também uma grande preocupação no reinado de D. Francisco. Foi neste âmbito que apostou no Projecto ANGOTRIP, que contemplou, entre muitas iniciativas, a abertura dos hospitais para doentes do sono, em Quitexe, Negage e Uíje.
É de assinalar que nestes últimos tempos, o bispo do Uíje vem apostando no combate à feitiçaria, uma praga que afecta a sua diocese. Como resultado prático desta luta está a abertura do lar de São José, uma casa destinada a acolher as crianças rejeitadas pelos seus familiares, porque acusadas de feitiçaria… De facto, obras edificadas por este prelado são tantas, e só o povo e o próprio Deus podem enumerá-las, e reconhecer quanto valeram e valem para o povo do Uíje.
Entretanto, seria uma ingratidão não sublinhar a diplomacia com a qual D. Francisco deu, também de uma forma discreta, um contributo positivo e decisivo para a paz de Angola. Será isto tudo resultado da política de um Bispo? Decididamente, compete ao próprio D. Francisco responder, com exactidão, a esta pergunta.

publicado por Quimbanze às 07:37

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